Eu sou fumante À luz do sol e do néon, Quem não gosta de cigarro Desconhece o que é bom Também não sabe Que a bronquite infernal, Juntamente com o pigarro, São meu charme matinal. Vivo soprando por aí muita fumaça, Com alegria, pose e graça, Perfumando os salões E assim, de cores, Consegui os tons mais belos, São meus dentes amarelos E marrons os meus pulmões. Para meus brônquios Alcatrão é vitamina E, a doce nicotina, esperança de troféu Pois do tabaco hei de ter a minha flor, Um fantástico tumor, Que me levará ao céu. Mas se não ganho, afinal, o caranguejo, Há ainda um desejo Que eu quero consumado, Já que não posso ter de tudo Eu quero parte, Pelo menos um enfarte, Pra também ser safenado. A impotência Não assusta camarada, Vale mais uma tragada Que o prazer sexual. Um enfizema Não está fora dos meus planos, Pois fumante há muitos anos O evento é natural. Uma gastrite duodenal, Uma esclerose, Finalmente, em dupla dose, Sei que um dia vou ganhar. . . E vou vivendo assim feliz a minha vida, Até que a morte bem sofrida Possa então nos separar.