É essa a rua borborema, pequeno? Eu tenho que estar lá às dez da noite Virei freguês de bola branca e transparente E a fumaça chegou a me desnaturar E todo o dia essa lida não me cansa de esperar Ao seu encontro, vou alegre jovial Por que não dizes o que a vida tem pra mim? Vou me embrulhar em um cometa passageiro Na tua seda enrubescida vou me embriagar E embriagado vou embora para que o meu sangue escorra Mas se um dia ou por uma noite eu aqui voltar Será pra ler o teu destino com uma faca Cravas teu colo uterino no meu tíbio E do sobrado, vou caindo devagar Dê-me um beijo com o mal que tem dentro de ti Beije-me sempre devagar Tenho dois maços de diamba feitos com folha de jabuticabal Não me importo nenhum pouco se for bom ou se é ruim O que eu queria era ter um espaço vago no meu tempo E nesse espaço, encaixar você pra mim As pernas brancas encostando-se à libido Parecem dois colibris velhos e abismados E a promessa da tua carta de maga E a tua voz decifrando toda minha saga E o teu corpo caminhando não afaga E eu tenho a esperança que um dia tudo se apaga E eu possa ter de novo a minha paz roubada por você E o meu achego prochegante há de desvairar Essa concórdia que em mim insiste em permanecer Transam borbulhas de uma solidão cicatrizada Mas hoje o tudo que tenho é quase nada A borborema viu-se até na minha estrada Não sei por onde caminhar Espumei frígidos tilomas com fanais de escuro Rasguei brevês que o fadário consentiu pra eu ver De nada adiantará se eu estou atraído Por suas íris de uma cor indistinguível Meu pranto hoje se faz fútil e consolador Perdi a vida pro amor Cravas teu colo uterino no meu tíbio E do sobrado, vou caindo devagar Dê-me um beijo com o mal que tem dentro de ti Beije-me sempre devagar Beije-me sempre devagar