Ainda menino, no auge da inocência Pra fazer uma experiência Um preto velho me chamou Prum grande encontro No meio da encruzilhada Com a “verdade” decantada Nos tempos do meu avô Teria tudo: riqueza, sabedoria Me tornaria invencível, com eterna proteção Bastava apenas aceitar a “divindade” E incluir sua “verdade” no coração Êh, Preto Velho, me diga qual é? Êh, Preto Velho, me diga qual é? Eu não ando por essa estrada Não abro mão da minha fé Ele falava olhando pro infinito Num gestual esquisito Como se visse alguém Palavras negras saiam da sua boca E um coração de vozes roucas Respondia do além Na terra, vi sombras de argolas douradas E no alto a divindade Preparando a invasão Suava frio, minhas pernas tremulavam E os anjos de Deus me davam a proteção Êh, Preto Velho, me diga qual é? Êh, Preto Velho, me diga qual é? Eu não ando por essa estrada Não abro mão da minha fé Sentido perto aquela força maldita Inclinei minha cabeça E com o poder da oração Repreendi a legião dos encantados Por Preto Velho chamados até o chão Foi um suplício O tempo fechou de repente Só ouvia ranger de dentes E gritos desesperados E o Preto Velho então perdeu a consciência Quando viu que a experiência Tinha dado errado Êh, Preto Velho, me diga qual é? Êh, Preto Velho, me diga qual é? Eu não ando por essa estrada Não abro mão da minha fé