Da janela deste apartamento contemplo a cidade fria Romaria pela praça pela graça de belos dias Da janela deste apartamento vejo sangrentas verdades Brotadas da desgraça nua pelas ruas da cidade Da janela o silencio me açoita ao ver famintos inocentes São o retrato da sub vida o fruto amargo de uma semente Da janela mais uma cena vejo bêbados febris Na lucidez da violência na embriagues do país Da janela deste apartamento vejo mulheres objeto Vendidas a preço de prazeres vencidas por dias desertos Da janela deste apartamento vejo gente valente a protestar Contra os braços dos poderosos pra ver a situação mudar Da janela entendo melhor as coisas que leio nos jornais São sempre vivas que a ausência de Deus traz Da janela eu reconheço mais que o mundo não compreendeu a luz Que a paz não passa de um sonho que essa escuridão produz Da janela deste apartamento tal quadro vem me desafiar A lançar mão no arado e a boa nova então plantar E a boa nova anunciar e a boa nova espalhar