Gorda ou magra a vaca pouco importa E gado nem sempre se comporta como tal Tão quieto e calmo num instante E de repente noutro explode sem qualquer explicação Eu não guio e muito menos sigo nada Desde a vara condenada pouco está em minhas mãos Nada há em volta que me prenda ou dê abrigo Sob o Sol queimo e mastigo a poeira do sertão Às vezes passo o dia aqui parado E parado quem espera que um dia eu cause mal? Mas eu, pastor do avesso Espero aceso o estouro da manada! Rio seco, vida estagnada E nem sempre tudo segue o seu curso natural Tudo torna quando o ar cansado pesa Feito a marcha da manada e prepara a escuridão Me mudei pro meio do deserto E rumino cada passo vindo em minha direção Ouço claro cascos que se vão E me aborrece que meus cascos Nunca arranquem pó do chão As reses pastam fartas ao ar livre E no ar livre se encerram como em qualquer curral E eu, touro possesso, espero inquieto o estouro da manada!