Há só meio palmo de silêncio a separar A razão que cada um de nós diz possuír Embora pequena, essa distãncia há-de bastar Se nada fizermos no sentido de impedir Que o orgulho possa ganhar corpo, ganhar voz E venha erguer um muro ente nós Se duas pessoas não conseguem conviver Não espanta que o mundo mostre isso em ponto maior Tornamos difícil o que é fácil de dizer Jé basta de silêncio, meu amor Há só meio palmo de silêncio e todavia As bocas não ousam a palavra que o transponha As mãos vão retendo uma carícia que se adia Os olhos escodem o remorso ou a vergonha De não ter coragem p’ra fazer um simples gesto E deixar que a ternura faça o resto