Estava cantando em Goiana Na casa de um amigo Quando uma mulher mundana Chegou pra falar comigo Toda cheia de desgosto A lágrima banhando o rosto E sei que poeta tu és Por Deus escreva um poema Relativo ao meu dilema Na Porta dos Cabarés Deixei a casa paterna Com 15 anos de idade Para viver na taverna De escândalo e vaidade Empregada nos balcões Nas mais riquíssimas pensões Nos botequins, nos hotéis Numa vida de prazer Nunca pensei deu sofrer Nas Porta dos Cabarés Eu só andava no trato Só vestia o que era bom Sabonete, pó, extrato De lavanda e batom Vestido, sapatos bons, Anéis de ouro e cordões Relógio caro e anéis Na mais importante orgia Nunca pensei que eu caía Nas Portas dos Cabarés De chorar tenho razões Sem ter dos meus pais notícias Por pai, por mãe e por irmão Eu tenho somente a polícia A cadeia é o meu prédio Aguardente é meu remédio E eu sou mulher de mais de dez Portanto minha insistência Vou sofrer com paciência Nas Porta dos Cabarés Ôh Maria Madalena Já que fostes sofredora Vos é quem pode ter pena De uma pobre pecadora Eu abandonei meus pais Vou pedir a São Tomás E a São Pedro e São Moisés Que suas portas destranque Com sua força me arranque Das Portas dos Cabarés E agora meus senhores Acabei de terminar Hajam de me desculpar Deste pobre cantador Que ainda não me agradou E eu tô postada em seus pés Venham me favorecer Que pra ninguém não sofrer Nas Porta dos Cabarés.