Diz pra eu repaginar a vida E então planejar minha fuga Mas não diz de que adianta isso Se quando eu fujo, nada muda Diz pra eu desfazer esse nó na garganta E assim poder gritar sem culpa Mas me diz, de que adianta Se quando eu grito ninguém escuta? As palavras são sempre tão infieis Que a mim já não seduzem mais Pois é nas entrelinhas que se costura Nossa história Pra que perder tempo com uma sequência Fonética e lógica que seguramente só vai limitar O que é o ser E o que o faz ser Somos crianças observando Com os cotovelos à janela Anos da vida passando A cada hora dela Trazendo rugas e levando gente da gente Nós sentiremos saudade da saudade Que ainda se sentirá Se a vida fosse uma ficção (Não que eu esteja dizendo que não) Quando tempo ainda vai levar Até a próxima página poder ser escrita?