À beira do rio, nem sei em que lado Nasci em meados de um ano qualquer Cresci na barranca de duas fronteiras Sem eira, nem beiras, sem nome si quer Me chamam Licurgo, que é nome de homem E sem sobrenome, de mãe ou de pai Nem há porque ter nome comprido Um homem curtido do rio Uruguai Não fui batizado com nome imponente Na igreja dos crentes de torre bem alta À beira do rio na vida que levo O peixe que sevo faz muito mais falta Que Deus é meu pai, minha mãe é Maria Meu disse num dia um padre galha De outros parentes, de tios e de tias Será que sabia e não quis me falar Fiquei matutando, quem sabe verdade E tive vontade até de chorar Mas homem não chora, se chorar é pior Por isso é melhor deixar como está