Camané

Templo Dourado

Camané


Ao cair da noite, salta o muro 
Deita abaixo a porta da fachada 
Vai p´lo corredor comprido e escuro 
Corre os cantos da casa abandonada 

Pelas brechas do soalho apodrecido 
Saúda com a ponta dos teus dedos 
O chão inicial que foi escondido 
A pedra que guardou os teus segredos 

Desmonta uma a uma as fechaduras 
Rasga as cortinas, esventra as almofadas 
Para que ´as penas cubram as molduras 
E voem p´las janelas escancaradas 

Destapa os retratos de família 
Dos lençóis que os protegem da poeira 
Transforma cada peça da mobília 
Em achas preparadas prá fogueira 

P´la sala espalha ramos de alecrim 
Acende um candelabro bem no centro 
Fuma um cigarro, sai pelo jardim 
E entra cantando p´lo dia dentro