Amor!... Turvando a visão e o pensamento entorpecido O azul do céu, vibrante, invadindo os olhos E o corpo ganha asas em delírio de contentamento Enquanto a tinteiro segue deixando borrões Alça vôo ao firmamento sem duas vezes pensar Deixa tudo pra trás, pois nada mais tem valor E os diamantes cada vez mais próximos... Mas as flores enormes começam a morrer E entre manchas negras o arco-íris a esvanecer... E pobre da Lúcia, não havia pára-quedas Agora que as asas queimam e os diamantes se foram O mata-borrões não pode livrá-la dos erros Nem há anjo para ampará-la Agora que o solo está cada vez mais próximo Não vê aquele rapaz pronto para aparar sua queda em seus braços Só lhe aguarda o chão... E agora que a poeira se vai e não há mais beleza ou sorriso E Lúcia, abandonada aos vermes, sangra de olhos abertos Uma última lágrima escorre como prova de sua descoberta Ao derradeiro momento pôde ler o real nome do Destino dos homens Amor...