Acordou cinzento este domingo Finalzito de setembro E eu solito relembro Momentos que não esqueço Paro penso e repenso E não consigo acreditar Que hoje foi se findar A vida de um amigo! Inteira Santana chora Por causa deste guri Que hoje teve que ir Seguir o caminho de tantos Deixaste amigos aos prantos Mas algo ao menos consola Lembrar que foste embora E aos mestres foi te juntar Pra eles tu a de tocar E pra alguns até escrever Melodias ao entardecer Sobre pingos e violões Lembrando dos corações Que aqui deixaste a sofrer Falo com a certeza E certo que não me engano Deus te levou pra outro plano Para te ouvir tocar E todo o céu alegrar Com esse jeito de fronteiro Com o Gildo de gaiteiro Só pra te acompanhar E esse gaúcho nativo Honrava a tradição Sempre com seu violão Ele ajudava a contar Como se deve amar E defender esse chão Fatalidade e tragédia Antes do dia santo Assim calou-se o canto De um jovem muito especial Que não pensava no mal E nos olhos tinha a inocência E Deus requisitou a presença Deste guri sem igual Deixaste a nós todos Muito jovem, e mesmo assim Cativaste neste confim Amigos que são incontáveis Em prantos intermináveis Ficaram todos sofridos De corações partidos Sentindo imensa saudade Gostava de skte e golfe Tinhas as vezes de "magrão" Mas honrava a tradição O rio grande acima de tudo Este guri peitudo Hoje solito no cemitério Chamava-se Dudu galdério Honrado acima de tudo E o céu inteiro à de aplaudir Este anjo de chapéu E como aqui também o céu Não vão entender o mistério Que tem o Dudu galdério Que com a quietude cativa Apaixona e sensibiliza Com um jeito alegre, mas sério Foi tão forte assim Não to aqui pra menti Em cinco dias eu vi Toda a sensibilidade Que comoveu tua cidade Todos rezando por ti Também sentimos ali O tamanho desta saudade Foi filho de todos os pais Irmão de todos os irmãos Que com força se deram as mãos Para por ti orar Só pensando em te salvar Não aceitando a tua partida E te querendo com vida Para todos nós alegrar Deixaste muitos amores Gurias apaixonadas Por certo que indignadas Sem saber o que fazer Sem ter a quem recorrer Neste momento de tristeza Levaram a tua beleza Deixaste-as a sofrer Tinha o verde do campo nos olhos E também muitas paixões Teus pais, parentes, irmãs Cavalos, violão e amigos Todos muito queridos Por Eduardo Simões Como o destino é cruel E assim me obrigo a dizer É até impossível esquecer Como tudo aconteceu Debaixo do seu chapéu E encima do lombo de um pingo Parece que estou mentindo Mas foi assim que o Dudu morreu Logo ele que amava Cavalos e gauchada Antes da data sagrada Pra todos nós desta terra O ser humano é quem erra E foste de junto dos seus Foi para o lado de Deus Com chapéu tapeado na testa E agora nas noites frias Por certo que enluaradas Negras e estreladas Brilha o guri de Santana Que Eduardo se chama Ele guia e protege E lá de cima ele rege Todos os que ama A terra perdeu um talento O céu ganhou uma estrela E nós desta fronteira Um Anjo a nos proteger Imortal, a de viver Dentro dos corações De todos destes rincões Ninguém nunca vai te esquecer Eduardo Simões Pires Dudu Galdério imortal Tua falta nos faz um mal E com esse choro contido Que a paz esteja contigo Desejam de coração Todos deste rincão Que fique "com Dios" Amigo!