Burro que fugiu do laço tá de baixo da roseta Quem fugiu de canivete foi topar com baioneta Já está no cabo da enxada quem pegava na caneta Quem tinha mãozinha fina foi parar na picareta Já tem doutor na pedreira dando duro na marreta A coisa ficou feia, a coisa tá preta Quem não for filho de Deus, tá na unha do capeta Eu não caio do cavalo nem do burro e nem do galho Ganho dinheiro cantando a viola é meu trabalho No lugar onde tem seca Eu de sede lá não caio Levanto de madrugada e bebo o pingo de orvalho Chora viola É muita serra pra eu subir É muita água pra me afogar Muito martelo pra mim bater Muito serrote pra mim serrar É muita luta pra eu sozinho É muita conta pra eu pagar É muito zap em cima de um ás Mas a terra treme quando eu trucar Já derrubamos o mato Terminou a derrubada Agora preste atenção Meus amigos e camarada Não posso levar vocês Na minha nova empreitada Vou pagar tudo que devo E sair de madrugada Gavião da minha foice não pega pinto Também a mão de pilão não joga peteca O cabo da minha enxada não tem divisa As menina dos meus olhos não tem boneca A bala do meu revólver não tem açúcar No cano da carabina não vai torneira A porca do parafuso nunca deu cria Na casa do João de Barro não tem goteira Se a minha vista alcançasse Onde o pensamento vai Talvez não sofresse tanto Por não ver Minas Gerais Nunca mais minha Araponga Escutei cantar nas mata Pra mineira que eu adoro Eu nunca mais fiz serenata Quero meu pai e mãe abraçar Ouvir o sabiá cantador A campina o perfume da flor Lá da serra ver o sol raiar Quero ver o meu céu estrelado E o clarão que a lua faz Ver meu amor que felicidade Quanta saudade Oi Minas Gerais! Oi Minas Gerais