Eu sei que coisas boas vem e vão, eu não vou morrer sem não Não vou morrer com cem não, e eu não ouvir sermão Eu quero conhecer o sertão, vou fugir de onde cês' tão Vocês pagam de "certão", e eu não quer ser um ser tão Preocupado com as finanças, preocupado com cobranças To tão ocupado com as andanças e num futuro eu quero ter crianças Que que tem? Eu tenho esperança Eu luto todo dia pra ter alegria, quem diria? Tenho alergia a quem acha que a minha vida é mansa São atores reprodutores de rumores por todo lado E os pensadores nos bastidores com suas dores tão isolados Eu vivencio o curso ao pódio, discurso e culto ao ódio Informação virou minha gládio porque na rádio é raro igual ródio E eu não consigo ser diferente, talvez porque eu não queira ser Não vou fingir que sou uma pessoa que vive de boa pra te dar prazer Sou metamorfose ambulante numa sociedade alternativa No fundo eu sou igual ao sol que luta pra que a chama viva E se o assunto tá em voga, estuda nada mas se joga E a burrice é a verdadeira porta de entrada para as outras drogas São pessoas tão posicionadas, tão fragmentadas, uma em cada via Mas um mundo tão polarizado, cada um de um lado, é tipo a Guerra Fria E o Moro defende o Aécio, igual pastor defende o retrocesso Pra nós do povo, o que vem é ordem, pra burguesia é que vem progresso A verdade é minha preciosa, e eu me isolo igual Smeagle Vocês vagam que nem zumbis, e eu recarrego minha Desert Eagle Você só olham para umbigo, criticou que defendeu um Beagle Experiência vale muita coisa mas sozinha serve só pra jogar bingo Mano, tá faltando humildade relativa no ar Todos são contra o aborto mas ninguém quer adotar O que ta acontecendo mano? O que eu vou fazer agora? Faço parte de uma geração que quer de mão beijada, quer tudo na hora Imagina sem filosofia e sem sociologia, mano, mais que luta inglória Isso que dá manjar matemática e cabular as aulas de história To entre a guerra, e a poesia, to entre a terra e água fria A direita e a tirania, e a esquerda a utopia To entre a multidão que aplaude e vibra por seus opressores Entre a multidão que sabe distinguir preconceito de valores Entre balas de borracha, entre gás lacrimogêneo A juventude que tu descrimina, trás revolta em cada mente de um gênio A porrada nunca para a luta, essa guerra é longa igual labuta No futuro cada um desfruta de um país melhor e sem filha da puta