Sou do frio da Sibéria Do calor de Teresina Nunca tive disciplina Já nasci com a pilhéria Misturei anti-matéria Tomei chumbo derretido Já cacei pro meu cozido Borboleta de arpão Do seu caldo fiz pirão Nos dez-de-queixo-caído Começou o resfulengo No calor dessas paixões Cortei vários corações Arrasei, deixei capengo Aprendi ser mulherengo E assim tenho vivido Hoje sou reconhecido Nos lugares onde chego Por beleza, por apego Nos dez-de-queixo-caído Pra domar minha loucura Nem sermão de padre velho Decorei o Evangelho Sem medir minha ternura Escrevi na partitura Meu repente distorcido Um maestro conhecido Não tocou a minha flauta Desclassifiquei a pauta Nos dez-de-queixo-caído Preparei meu aconchego Pra o mundo enfrentar Não sei onde fui morar Sem bitola, sem arrego Rebolei nesse chamego Disso não fui excluído O atraso foi banido Estudei toda matéria Tô fugindo da miséria Nos dez-de-queixo-caído