Lisboa mora ao pé da dona intriga Por isso adora até só dizer mal Quando a calúnia sai pra rua fora Logo Lisboa vai ao tribunal O meu postigo dá mesmo pra rua lá Onde as vizinhas sabem tudo o que se diz Costume antigo tem e quando a lua vem Olhar telhados e meter lá o nariz Sem mais aquela, de janela pra janela Está Lisboa tagarela a falar de mexericos O Tejo passa, faz intrigas com a Graça Diz, Alfama só tem raça na maré dos bailaricos Coscuvilheira dos boatos, a leiteira Que a Maria costureira já tem outro namorado Gritam ardinas aldrabices p’las esquinas Que as chinelas das varinas Vão contar pra todo o lado Lisboa um pátio é, dos maneirinhos Desde Belém á Sé e ao Lumiar Somos vizinhos, dá é zaragata Mas a gaiata quer é falazar Com a intriga vem, logo uma amiga aí tem Intencionada que é de ouvir e de calar Que por ser boa sai e por Lisboa vai Língua afiada de rua em rua a ratar