Era um rapaz de sonho Sonhava em ser MC Mas o seu primeiro sonho Foi poder entrar aqui No meu mundo, conhecer-me Tirar duvidas, conselhos Humildemente, escutava e Respeitava os mais velhos Falei-lhe sobre a caminhada E o quanto dura era Perguntei-lhe o que procurava Queria uma resposta sincera Contou-me a historia Da miséria do meio familiar Que o levava á loucura Tinha medo de vacilar Desde que o pai faleceu A mãe perdeu o sorriso Tinha um irmão mais velho Um ressacado sem juízo A rotina era o bairro A escola nada lhe ensinava Toda a sua geração Já bebia já se drogava Ele fugia Porque preferia andar sozinho O caderno e a caneta Eram o seu melhor amigo Sentia que a escrita O ajudava a suportar bem O medo de não poder Um dia a vir a ser alguém Inteligentemente Falava das incertezas do futuro Sem profissão, dizia ter Á frente um muro lAdorava os animais As crianças e idosos Tinha um coraçao de ouro E detestava os vaidosos Eu escutava, admirava Este puto com potencial Era humano, era raro Era especial As palavras eram firmes Como quem sabe o que quer Se viesse a ser MC Não seria um MC qualquer Nem todos são infectados Nem vivem na mentira Só mesmo os apaixonados Conseguem sentir a ira Criadores abandonados Neste barco a deriva Os puros apunhalados Não capta a objectiva Gravou o 1º tema E deu-se a conhecer A primeira vez que pisa Um palco, faz-lo estremecer Depressa sentiu o peso E a responsabilidade Que as palavras tinham Na verdade (agora é serio) Vieram os concertos, entrevistas Flash´s e autógrafos A sua atitude eram Os trunfos (Era um Ás) Era humilde e verdadeiro Foi a luta pela sorte Ele sabia que este Hip Hop Estava ás portas da morte Sentiu a mudança Ao poder abraçar a musica Sentiu mais a química Do que a parte física Era solidário, dava o Dedo, dava o braço Pelas causas em troca De um simples abraço Passaram anos e o seu Nome cada vez mais forte Nunca deixou que a fama Excessiva o condenasse á morte Era altruísta, ajudava Tinha um grande espirito Se chegou onde chegou Foi com todo o mérito Nas visitas regulares Que me fazia, desabafava Triste com as atitudes Dos famosos que idolatrava Sentiu a hipocrisia De que eu tanto falava Era brilho de ouro falso Da cultura mal amada Amava o que fazia E recusou-se a continuar Porque viver na mentira Podia-se revoltar Virou as costas e jurou Por este Hip Hop não choro mais Com o dinheiro que ganhou Dedicou-se ao animais Nem todos são infectados Nem vivem na mentira Só mesmo os apaixonados Conseguem sentir a ira Criadores abandonados Neste barco a deriva Os puros apunhalados Não capta a objectiva