A sentença já foi proferida Saia de casa e cruze o Tabuleiro pedregoso Só lhe pertence o que por você for decifrado Beba o fogo na taça de pedra dos Lajedos Registre as malhas e o pelo fulvo do jaguar O pelo vermelho da Suçuarana O Cacto com seus frutos estrelados Anote o pássaro com sua flecha aurinegra E a tocha incendiada das Macambiras cor-de-sangue Salve o que vai perecer O efêmero, o sagrado As energias desperdiçadas A luta sem grandeza O heroico assassinado em segredo O que foi marcado de estrelas Tudo aquilo que, depois de Salvo e assinalado, será para sempre e Exclusivamente seu Celebre a raça de Reis Escusos, com a Coroa pingando sangue O cavaleiro em sua busca errante A Dama com as mãos ocultas Os Anjos com sua espada E o Sol malhado do Divino Com seu Gavião de ouro Entre o Sol e os cardos Entre a pedra e a estrela Você caminha no inconcebível Por isso, mesmo sem decifrá-lo Tem que cantar o enigma da fronteira A estranha região onde o sangue se queima Aos olhos de fogo da Onça-Malhada do Divino Faça isso, sob pena de morte! Mas sabendo, desde já, que é inútil Quebre as cordas de prata da viola A Prisão já foi decretada! Colocaram grossas barras E correntes ferrujosas na cadeia Ergueram o Patíbulo com madeira nova E afiaram o gume do machado O Estigma permanece O silêncio queima o veneno das serpentes E, no campo de sono ensanguentado Arde em brasa o sonho perdido Tentando em vão reedificar seus dias Para sempre destroçados