Se sempre tem sonhos à venda Quero um corpo de vitrine Um coração que me anime E um cérebro que me entenda Um manequim de loja Uma beata ou uma vadia; Um cão que ladra, um cão que morde E outro que uiva em agonia Mas não tenho dinheiro Nem nome na praça Sou por inteiro Um guerreiro de raça Eu sou brasileiro Sou Cazuza, sou Raul, sou violeiro Eu sou brasileiro Sou cristão, sou ateu, sou macumbeiro Que receita é distinta Só com uma iguaria? E daí que manter o controle Era só o que valia? Sim, eu sou livre Mas entendo a prisão E às vezes erro Ao tentar julgar o perdão Mas quem de nós Nasceu pra ser perfeito? Quem de nós morreu Sem nada ter feito? Eu sou brasileiro Sou Cazuza, sou Raul, sou violeiro Eu sou brasileiro Sou cristão, sou ateu, sou macumbeiro...