Acho que o terei aqui sempre Me olhando como um quadro na sala de estar, Mas dentro de mim lembre Do fundo de tudo que for me matar Os olhos ardem, as fotos desbotam E entre os contracheques você Na maquete do mundo que era a casa dos mortos Eu bem sabia qual era o por quê, Mas não dava pra fazer o pacto dos lobos Sentar e ver o jornal da tv É que o senhor o frio da dor Sem o calor da raiva sepulta O herói traidor que você criou Senhor é você mesmo me desculpa Não quero esquecer o inferno das horas No meu coração sem amor Sorriso nas fotos, Lágrimas nos cantos, Velório do que você mesmo criou O silêncio enche a casa, A mesa de jantar calada Resquícios do pouco que já se foi Se foi… Quando os meus sonhos cabiam no seu abraço Eu era livre e prodígio pra existir, Mas hoje sou maior que os seus olhos Nenhuma autoridade pode reduzir Sou o rascunho de outro futuro, Que de tão escuro parecia o seu Você com as suas paisagens distorcidas disse: o que é seu é meu. Censurando todo deslumbre de viver Com o seu discurso impoluto que se perdeu Eu… Pra quê correr, O que fizeram ao mundo, Fizeram a você…