Moro num barraco de fundo Não tem laje nem forro As parede é de barro E de barro deus fez o homem também Se liga seu moço Que aqui é maneiro Pra morar na favela não tem choro nem vela Tem que ser maloqueiro Por isso eu sou maloqueiro Mas aqui é diferente Na pele é que se sente No barro da gente o jeito brasileiro de ser Moro num barraco de telha pequena Quando chove tem muita goteira Haja vasilha, usa as panelas meu bem Dona abadia, não me leve a mal Pra cantar no terreiro Pra ter voz lá no morro Tem que ser batuqueiro Eu também sou batuqueiro E o meu ziriguidum Ele é verdadeiro Bate dentro do peito como bate um pandeiro