Diga o que não se pode, diga o que não se quer Faça o que não se pode fazer Pois aqui a verdade é uma ofensa Então, pra que verdadeiro ser? A chave que abre é a mesma que fecha a porta Já tão ruidosa de tanto batida ser De tanto fecha e abre a porta Pois aberta sempre haverá de estar Fazer luzir a fosca verdade Que jaz esquecida por ti Dentro de um armário qualquer Rola bola amada, rola alheia Ao ronco das barrigas Ao sangue nas esquinas Ao barulho das buzinas Renitentes automóveis tão velozes Incapazes de amar aquela menina Que rouba por não mais poder sonhar Por ter roubada sua infância Por ter sido mãe aos doze Por ser a boneca da vida real