Uma pedra no sapato Quem manda manda meter O retrato Do favor que se lhe anda a dever Um nó cego na 'inha língua Quem manda manda fazer De palavras ando à míngua Mas ainda sei que lhes dizer Mê cantar não é de boa Tanto se me importa a altura Se me ponho de berrar Nem o diabo me atura Uma forca no quintal Quem manda manda erguer Enforcado em Portugal Não autorizo que me venha a acontecer Um ninho atrás da 'inha orelha Quem manda manda fazer Tenho um telhado sem telha Anda-me a chuva a chover Mê cantar não é de boa Tanto se me importa a altura Se me ponho de berrar Nem o diabo me atura Não há verdade que se veja Quem manda manda-a esconder Ao acabar da carqueja Fica sempre alguém a arder Tudo tretas lisboetas Quem manda manda arremeter São as tretas e as petas Que nos deitam a perder Mê cantar não é de boa Tanto se me importa a altura Se me ponho de berrar Nem o diabo me atura