VERDADES (AXILLS) Levante seu vidro, mas não feche seus olhos Você vai ver a grande degradação Ver a criança abandonada Triste e sozinha em meio à multidão Você vai ver a multidão dos sem-terra, Mas sem ouvir os gritos de agonia Vai perceber que eles perdem a guerra E fica o sangue na terra cercada e vazia Só eu te peço não fica tão fria Quando ouvir a minha declaração Ela é meio enrolada, Pouco cadenciada, Mas bem que fala a verdade sobre minha paixão "... somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia" (João Cabral de Melo Neto) Meus olhos que seguem seus olhos na contramão Meus olhos perdidos, seus olhos sem direção Meus olhos te cegam, seus olhos me embaçam a visão Meus olhos um trem, seus olhos minha estação "Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis" (Carlos Drummond de Andrade) Vou te falar a verdade sobre minha paixão Vou te falar a verdade sobre minha paixão Mas antes levante seu vidro, mas não feche seus olhos Você vai ver a grande degradação Ver a criança abandonada Triste e sozinha em meio à multidão Você vai ver a multidão dos sem-terra, Mas sem ouvir os gritos de agonia Vai perceber que eles perdem a guerra E fica o sangue na terra cercada e vazia Só eu te peço não fica tão fria Quando ouvir a minha declaração Ela é meio enrolada, Pouco cadenciada, Mas bem que fala a verdade sobre minha paixão "Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado" (Carlos Drummond de Andrade)