Arnaldo Brandão

Insônia

Arnaldo Brandão


Olho o relógio, fecho a janela, sozinho e só na cama
Fetiches me incomodam, vícios me desprezam, não sei que me ama
A TV saiu do ar, a rádio tá um saco, a noite é um aluguel
Um livro que não leio, um drink que não bebo tigres de papel

Os meus sonhos me abandonaram
A solidão ficou estranha
Você não está comigo
Sinto frio no umbigo
Estou sofrendo de insônia

Tomo comprimidos, apagou o abajur, me sinto tão menor
A noite vai virada, pressinto a madrugada e o medo sol
Ando pela sala, vasculho a geladeira, não paro de pensar
A beira do abismo, meu lar é meu hospício, ninguém vem me encontrar

E os meus sonhos me abandonaram
A solidão ficou estranha
Você não está comigo
Sinto frio no umbigo
Estou sofrendo de insônia

A casa me engoliu, o quarto me imprensou, a luz ficou no escuro
Me sinto deprimido, no maior sufoco, um telefone mudo
O teto desabou, o céu caiu no chão, vou enlouquecer
Num beco sem saída, pra lá de suicida
Não sei o que fazer

Os meus sonhos me abandonaram
A solidão ficou estranha
Você não tá comigo
Sinto frio no umbigo
Estou sofrendo de insônia

De insônia
Sofrendo de insônia

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