Já não quero aquelas horas incontáveis De bares e luzes de boates Dançando ao redor da solidão; Mas também não quero a mentira Que é viver como uma propriedade Em romances de ilusão. Sequer quero outra tequila daquela Que me fez tirar a roupa Que me fez crer que a vida é bela E nem quero outra paixão daquela Que costurou a minha boca E acorrentou-me em sua cela... Alguém encontre um meio termo Entre a esbórnia e o romance Não quero o delírio eterno Não quero que a solidão dance A fingir que sempre é terno O eterno amor que impede que avance Alguém encontre um meio termo Entre a esbórnia e o romance Tenho sentimentos ermos Tenho todas as nuances Do paraíso até o inferno Não quero que a vida descanse. De nada vale o amor Que não ri dos seus tropeços De nada vale o tropeço Que não esbarra no amor Sou razão e sou furor Sou uma sucessão de recomeços E não hei de pagar o preço De limitar-me a não ser quem sou