Meu espetáculo acabou e já recolheram a lona A música terminou e eu ainda espero a minha dança Até onde eu iria? O que que me importaria? Se eu morresse agora será que alguém choraria? A estrada me levava a bem mais que dois caminhos Era eu, eu e minha fé e eu sozinho E talvez minha escolha tenha prejudicado tudo Mas talvez ela não faria diferença pro mundo Eram tantos olhares, eram tantos padrões Que meus sentimentos se tornaram meus piores vilões Muitos pra ser feliz só precisam de transas E eu precisava apenas de um pouco de esperança Junto das malas as roupas as fotografias Hoje sou só um vulto rodando a madruga fria Na real já nem sei o que eu sou nessa estrada Só to tentando agora achar de volta o caminho pra casa Eu só peço nos meus sonhos Que os pesadelos não retornem mais Que eu possa enxergar que eu possa encontrar Minha paz e nada mais Vêm fantasmas em minha direção E eu já nem sei se são fantasmas se sou eu ou se é ilusão Eu sai de mãos dadas com meu demônio pessoal Uma parte de mim morria e a outra achava normal A opção que tinha era partir sumir Aí eu resisti, resisti e acabei ficando aqui Tudo mudou demais O sorriso não é mais igual Já não era inferno astral eu tive um inferno pessoal Afoguei toda minha alegria em copos de gelos Hoje mergulho de cabeça dentro de copos de veneno Um chafariz de sangue que segue correndo Abrindo feridas arrombando portas de sofrimento E eu que sempre achei que iria escapar ileso Só agora depois de tudo que pasei que eu me vejo Preso em quartos escuros assistindo meu fim Vendendo o pouco da alegria que ainda sobrou pra mim Do meu lado um fantasma que ainda segura minha mão E minha vida me vendo com olhar de decepção