O Império Serrano chegou E no toque do seu agogô Vem celebrar no carnaval Com fé pedir proteção A nossa senhora do pantanal Abro a janela para o sol liberto palavras no faz de conta O nada reinvento O silêncio fecundo Meu quintal é maior do que o mundo! Nativos murmuram feitiço No camalote, sapo e caramujo Em meu refúgio na beira do rio De insetos, paisagens, sou guardião No universo fascinante da imaginação Voa, avoa passarinho No infinito verde esperança Branco de garça é paz, iluminura no céu Lá vai Bernardo e o poleiro-chapéu A fresta entreaberta ao arrebol Revela a magia que é viver Com o tempo entendi que poesia Nada explica, não quer descrever O sol se põe, o pantaneiro a pescar Viola ao som do luar, gosto de chuva Feras e peixes qual nuvens vestidas Toco boiada, sou Bernadão Fecho a janela, ouço um reizinho Cantando em forma de oração