Aléc

Gatuno (part. Sazack)

Aléc


Oh como é linda a madrugada
Me pego pensando se dou mais uma tragada
Por favor, me traga muito mais dessa parada
(Aê, Tulio vê se não atrapalha meu corre, porra)

Eu nunca me importei com glitches não, nada não
Só tô quieto porque eu me meti em confusão
E a notificação chegou
É os federal batendo no portão
E querem confiscar minha casa

Sendo que, no fundo, na real eu não fiz nada
Eles armaram uma cilada
De tênis furado, blusa cara e calça larga
Manda descer a pipa que vem truta rumo a praia

Pela praia, tô na praia alaia
Eles acham que eu sou presa, mas sou olhos de gatuno
Fuzis engatilhados dentro deles um sussurro
Será que ele deita ou cai, fica ou vai
Olhos mirados em mim como se eu fosse um mundo

Amo viver nesse mundo
E esse mundo é nosso
Eu adoro me afirmar porque de tudo eu posso
Posso porque eu gosto

Já que a vida me fez assim
Vivendo ela vadiando é tão mais fácil pra mim
Pétalas me jogam nas vivências que eu não pude viver
Coisas tão mais lindas

Algo escrito em rimas
Minha querida eu te apresento o gosto da vida bandida
Me desculpa eu sou mais eu
Algo como viver sonhos em um mundo de Morfeu

Antes eu que um inocente foi assim que nóis cresceu
Eu vejo a pureza nos olhos que tem tudo já perdeu (hã)
Eu sou mais eu
Caminhos a trilhar e coisas pra fazer

Forças pra lutar e força pra perder
Sei bem como é matar e eu sei bem como é morrer
Tenho tempos a chegar, montanhas pra descer
Mas se um dia me chamar eu não sei como atender

Eu tenho tempo pra voar, e tempo para meu viver
Mas se a vida me esperar eu não tenho porque correr
Como eu corro de mim? Como eu corro de mim?
Como eu corro de mim? Como eu corro de mim?

Então me diz como que eu corro de mim?
Eu levo o medo na mochila e afim
Por muito tempo levei a vida assim
Mas não mais, não mais

Eu já andei por lugares que eu deveria correr
A vida sempre me imprensa e não tenho a quem recorrer
Cada pergunta que eu ouço eu sempre falo por quê?
E se um dia eu te magoar prometo levar um buquê

A vida nunca foi pra mim, mas afinal fiz ela ser
Vivendo entre os becos e as ruas
Aprendi a viver
Aprendi a sofrer

Minha querida eu te apresento o gosto da vida bandida
Eu vejo e leio minha vida como páginas
De um livro que conta a história de mágoas e lástimas
Eu aprendi o que é amar
Eu aprendi o que é amor
E sendo assim eu te pergunto, posso carregar sua dor?