Lavar meus olhos Pra ver se eu enxergo mais Mirar o abismo e descobrir o cais Quanto mais alto, mais longe esse descortinar Abrir os rochedos, esfinges, mistérios Achar bem dentro o mar Velejo a lágrima Nem sei que oceano esse será Se é africano, mediterrâneo, pacífico ou terrível Mas sempre mar Vela dos quereres, miragem só No horizonte gelo e azul sem fim Levam a ti Levam a nós Levam a mim Querer ter asas Sobrevoa a vida Sobretudo paira acima O submundo nos encara firme e o caos convida São fusões, ritos, atritos O vento, a pedra, grito e ar Luz é vertigem, silêncio é coragem Alegria é encontro, centro está Dentro e fora Que importa agora? Que tudo é movimento e paz Levando ao fundo, levando ao mundo Levando ao cais Lavar meus olhos Pra ver se eu enxergo mais Mirar o abismo e descobrir o cais