Se deita cede e bem cedo se alevanta Qualquer modinha mesmo triste ele canta Abre porta e mede o tempo do quinta Pega a enxada a cabaça e o embornal Pobre home do sertão Inté maria vou lutar contra miseria Pega o facão e a espingarda com a cara séria Pega a entrada no rojão de quem tem pressa Se sente só mais não é de muita conversa Pobre home do sertão Já não tem graça até a caça anda escassa E o que ganha já não sobra pra cachaça A noite vem olha o alem ao seu redor Balança o rosto tiro o desgosto e o suor Pobre home do sertão Muié reclama até alta madrugada Mais pobre homem tão cansado vê quase nada Levanta sedo e mede o tempo do quintal Dia a de feira dia de ir pro arraial Pobre home do sertão Compra as coisas mesmo poça não desanima Está feliz só em cumprir a sua sina O tempo passa e quando muitos mal reclama Até a coluna e o reumatismo lhe jogar na cama Pobre home do sertão Olha pra traz e vê perdido seu esforço Está bem velho e morre mesmo é de desgosto Ninguém faz nada pra miorá a situação E acaba assim o pobre home do sertão