Sem a chincha do aconchego De uma vida segura Hoje relembro o passado Vivendo uma vida dura A selva de pedra fere Leva o caipira à loucura Essa é a triste história Que este poeta tortura Eu nasci numa restinga Num recanto iluminado Onde a lua faz morada Num céu todo prateado Urutau lá canta triste Nas quebradas do cerrado Sem a cerca do progresso Eu vivia sossegado Eu troquei a liberdade De uma vida caipira Por um mundo de aflição Onde até o medo transpira De medo do que dá medo Dessa loucura que expira A ganância da trincheira Ela aponta e sempre atira Meu sítio virou saudade Fonte de recordação O trilho lá da rocinha Tem asfalto sobre o chão A rocinha hoje é fábrica Que produz poluição Minha enxada só capina Macega da ilusão Meu sertão me reconhece Toda a vez que eu vou lá Me recebe em sinfonia O maestro sabiá Na estradinha da chegada Sinto a brisa me tocar Então o despertador Em um som assustador Diz que é hora de acordar